quarta-feira, 27 de junho de 2012

Metapostagem


Ideias vagam, lembranças vêm, reflexões passam e, de súbito, um feixe de sentimentos inebriantes saturam o corpo e a alma. Algo de suma importância, pois, vai acontecer ou deve ser acontecido. 

Não há, porém, para onde incidir tamanha inspiração, uma vez que, comigo, só há a mim e algumas sombras  na mente.

O que será deste momento. Resigno-me, submisso à efemeridade da vida? Deve haver um jeito de descarregar este valor em algo, não para perpetuá-lo, o que seria não-natural, mas para prolongá-lo e até enriquecê-lo.

Letras, símbolos, linhas: nasce, assim, um texto.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Nietzsche... vende!




O mais radical e venenoso crítico do século XIX, bem quisto por "todos" - nós, democratas da atualidade.

É verdade, a moral transcendente, como a cristã ou a kantiana, estão em baixa e todos somos cegos otimistas, iludidos ou até mesmo conservadores! ao defendermos forças maiores, como Deus. Pensa-se duas a três vezes antes de se admitir cristão num meio intelectual, a menos que haja um engajamento ideológico profundo. E contra tudo isto Dionísio já se fez e desfez, é fato.

"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! (...) Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!"¹      

O curioso é que o filósofo artista não é um relativista. Ele ataca o pensamento de sua época, tanto em sua tentativa de ressuscitar Deus como em estabelecer uma ética utilitarista, mas isso não a fim de dizer "tudo é permitido" - escapando, assim, do niilismo -, mas sim desejando algo diferente, tentando fundar uma nova moral, novos valores, estes que colocariam o ser humano e a ciência em seus devidos lugares na realidade.

Ética utilitarista?

"Teoria desenvolvida na filosofia liberal inglesa, esp. em Bentham (1748-1832) e Stuart Mill (1806-1873), que considera a boa ação ou a boa regra de conduta caracterizáveis pela utilidade e pelo prazer que podem proporcionar a um indivíduo e, em extensão, à coletividade, na suposição de uma complementaridade entre a satisfação pessoal e coletiva"²

Trata-se de um coletivismo sem a necessidade de existências superiores, isto é, a outra possibilidade de cogitar o bem do próximo. Ou é assim, a partir do utilitarismo, ou é com forças maiores as quais citei no início do texto.

Pois então, retornando, qual será este novo rumo que a moral deve tomar? Radical. Impiedoso. Ácido. Um empreendimento tão impossível, tão corajoso. Para Nietzsche, se deve aceitar que somos submissos a valores que criamos. Para o pobre, o rico é mau. Para o rico, o pobre é mau.. Este tipo de concepção seria, para Nietzsche, limitado por interesses, uma ficção gramatical que buscava a ilusão de algo naturalmente do bem, ou naturalmente do mal. A fim de aceitar, pois, a realidade humana sem hipocrisias do tipo, era preciso se tornar um "super homem", um indivíduo com sede de superação constante e desligado do coletivismo, das cobranças pelo bem ao próximo; Nietzsche enunciou, portanto, um homem superior desligado de responsabilidade pelo outro, e sim por uma imensurável responsabilidade pela própria afirmação da vida, esta conduzida pela força, pela afirmação da não-resignação aos valores do "bem ao próximo", sejam estes tanto transcendentes como utilitaristas.


Finalmente, a democracia para Nietzsche seria a expressão máxima da fraqueza humana, uma vez que esta é justamente sustentada por um coletivismo na política e na jurisdição. Seria a realização de um temor de Nietzsche: o amor, típico dos fracos, seria institucionalizado e normatizado; "nada mais terrível do que a supremacia das massas, segundo Nietzsche"³.

Enfim, este não é o pensamento atualmente recorrente no senso comum dos "intelectualizados" - no sentido daqueles que buscam ler filosofia, mas não possuem formação profissional -, então por que Nietzsche vende tanto? Por que este pensador faz tanto sucesso (e com isso não me refiro a interpretações deturpadas como "Nietzsche para Estressados" ou afins)? Seria uma necessidade de nossa geração por uma resposta à racionalidade excessiva da atualidade ou um simples culto pela excentricidade de uma obra de status?



Biblio.:

1. NIETZSCHE, Friedrich – A Gaia Ciência, aforismo 125
2. GOMES, Paulo – Os Setes Saberes - Uma Abordagem crítica-filosófica.
3. DURANT, Will – Os grandes filósofos – A Filosofia de Nietzsche – Editora Ediouro

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Passado



"O passado não pode ser feliz,
Ora, é triste pois o é
Ora, a tristeza está no fato daquilo ser passado
O que passou sempre é melhor
Menos quando é horrível

É uma conciliação improvável.

O presente nos chama, e, depressa, o tempo passa
Já o passado... o passado passou"



Oi. Voltarei a postar em breve.
 















domingo, 6 de maio de 2012

Criando um cabeçalho...

   O que fazer quando se carrega um irritante perfeccionismo nas costas? Perder tempo é a única resposta que posso cogitar... e é exatamente assim que crio o cabeçalho do blog "Vitrine de Mim".
   Pois bem, queria algo que fosse um perfeito equilíbrio entre publicidade e arte. Explico. Gosto dessa vitrine online por conta da liberdade que tenho em exprimir ideias, no entanto, me desagrada a possibilidade de ser tão subjetivo, escrever tão monologamente, que me esqueça de que o objetivo prático de um blog meu é a sensação de publicidade, de alvo de interpretação de terceiros, ainda que poucos. Enfim, nada de escrever desrespeitando o que contruo, mas também perde-se o sentido deste espaço recorrer a um estilo ou um conteúdo que, para os leitores, tomem formas completamente díspares e confusas; o objetivo daqui não é suficientemente ousado para saturar meus textos de referências excêntricas e, por melhores que sejam, inacessíveis.
     Mesclando então, técnicas para se alcançar você, leitor, e um óbvio respeito a mim próprio e à minha criatividade, dá-se "tudo em divagações" como o cabeçalho do blog "Vitrine de Mim". "Tudo", no que se refere a conteúdos com quais posso tomar contato, expressado no meu estilo pessoal de divagar, com direito a algumas viagens, brisas altas mesmo, contudo, jamais esquecendo-me de que existe um chão.

Me diz, alguém ler o blog daquele cara? ^^

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pessoas como bombas-relógio...

 
    Você está lá, com um grupo; são amigos, tudo de boa. O assunto é morar fora e as faltas que dá e uma frase acontece e o receptor é exclusivo, não são "eles", não somos "nós", é você mesmo: "você sabe que ninguém mais liga pra você, ninguém gosta de você; aquele amigo seu... é, aquele mesmo, ele nem ninguém liga".
    Você está lá, com um grupo; são amigos, tudo de boa. O assunto não importa, tudo é piada, o que importa é o que foi dito, no momento em que foi dito. Você pensa que é assim, torce pra que seja, "vai ser melhor", você reflete. Não é assim, sinto muito.
    Você está lá, com um grupo; são amigos. O assunto pode ir pra qualquer lugar e, principalmente, pra qualquer tempo, pra qualquer memória. A frase foi para você, e aquilo foi foda de ouvir; sim, foi sim.
    Você está lá, com um grupo; são bombas-relógio. O assunto pode ser o estopim; uma frase pode te fazer explodir.



domingo, 29 de abril de 2012

Apocalyptica(mente) dramático!

É curioso como hoje, mesmo num brasil que tentou, obsessivamente, tornar-se um Brasil, meio que aos moldes alemães, superando a pobre e nociva influência estrangeira com um glorioso romantismo nacionalista, a reação não poderia ter sido outra senão o Modernismo e, com ele, a aceitação do interno e do externo.

O samba, o pagode, o forró: géneros que traduzem traços culturais brasileiríssimos; o rock, o metal, o eletrônico, o R&B: gêneros que ilustram aspectos culturais igualmente brasileiríssimos.

Não sei até quando a Beyonce ou o System Of a Down deixam de ser americanos e passam a ser brasileiros, isto é, desenrolam em fenômenos que só poderiam acontecer em território onde o samba e outros gingados também estão em cena, mas é bem evidente que o fazem, mesmo porque muita gente que escuta o que vem de fora e não entende todo o significado, as referências, ou mesmo o que é dito - literalmente falando (eu mesmo o faço, e muito).

Bem, depois de toda essa enrolação, que eu acho importante, aqui está um conjunto que tem muito pouco de brasileiro e, ao mesmo tempo, tem muito:


hasta mañana!!